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Santo padroeiro do Brasil é arrastado para a mais recente disputa eleitoral

A saga expôs tensões entre a maioria católica do Brasil e sua crescente população evangélica. Leia mais em straitstimes.com.

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Santo padroeiro do Brasil é arrastado para a mais recente disputa eleitoral
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RIO DE JANEIRO - O santo padroeiro do Brasil tornou-se um ponto de tensão política, à medida que os principais candidatos à presidência do país, de maioria católica, fazem uma tentativa de última hora para conquistar os eleitores religiosos.

O senador Flavio Bolsonaro atacou o presidente Luiz Inacio Lula da Silva por aparentemente alimentar rumores sobre seu rival de direita, com a saga expondo tensões entre a maioria católica do Brasil e sua crescente população evangélica.

Nos últimos dias, o presidente de esquerda fez referência a alegações de que Bolsonaro planeja retirar de Nossa Senhora Aparecida o status de santa padroeira, se eleito.

Os evangélicos, uma denominação em expansão no Brasil, com crescente poder político e uma importante base eleitoral de direita, não reconhecem a santa como objeto de culto.

“Enquanto eu for presidente... ninguém vai desrespeitar Nossa Senhora Aparecida”, disse Lula, que busca um quarto mandato não consecutivo, em um comício em 28 de setembro.

Bolsonaro, 45, frequentemente invocou a religião na campanha, e nega as acusações.

“Todo mundo sabe que eu respeito as religiões. Todas elas!”, disse ele, acusando o governo de espalhar “fake news”.

‘Oxigênio para rumores’

A discussão surgiu depois de reportagens da mídia de que figuras da Igreja Católica estavam preocupadas com o futuro status da querida santa, que é retratada no Brasil como uma mulher negra.

A descoberta de um projeto de lei abandonado de 2007, inicialmente proposto por um legislador alinhado a Bolsonaro, para rebaixar a santa padroeira, desencadeou posteriormente especulações desenfreadas online.

A decisão do presidente de “dar oxigênio aos rumores” sinaliza uma mudança radical na forma como ele se relaciona com eleitores religiosos, disse Victor Araujo, professor de política comparada da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha.

“Ao lidar ativamente com controvérsias religiosas e trazê-las para a campanha principal, Lula está tentando neutralizar o apelo moral de Bolsonaro e colocar seu rival na defensiva em termos religiosos”, disse Araujo à AFP.

Lula atualmente tem 48 por cento das intenções de voto entre católicos em 27 de setembro, contra 29 por cento para Bolsonaro, segundo uma pesquisa Quaest.

As intenções de voto entre evangélicos seguem na direção oposta, com 46 por cento para Bolsonaro e 27 por cento para Lula.

Janaina, de 51 anos, professora de arte católica que trabalha no Rio de Janeiro, acredita firmemente que o campo de direita está de olho no santo.

“Religião não tem nada a ver com política”, disse ela, manifestando preocupação de que os evangélicos “querem que essa outra religião cresça... e ataquem a Igreja Católica.”

Andre Paschoal, um frequentador da mesma igreja, está menos convencido.

“Lula aproveitou isso e certamente vai perder muitos votos por causa disso”, disse à AFP o servidor público, de 58 anos.

“Em vez de ser sincero, ele está usando uma mentira artificial para inclinar católicos ou evangélicos a seu favor”, acredita Paschoal.

‘Política pura’

“É política pura”, ecoou Tereza Helael enquanto seguia para um culto evangélico no centro da cidade.

“Destina-se a atingir uma certa área, um certo grupo... apenas para conseguir votos”, disse a artista de 70 anos.

O Brasil, conhecido por sua estátua do Cristo Redentor sobre o Rio de Janeiro, abriga a segunda maior população cristã do mundo, depois dos Estados Unidos, segundo o Pew Research Centre.

Os católicos historicamente dominavam esse grupo, mas rápidas mudanças demográficas nos últimos anos fizeram a população evangélica do país disparar.

Atores ultraconservadores desta comunidade forneceram apoio político crucial ao pai de Flavio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado por planejar um golpe.

“Esta controvérsia é uma reação a a atividade política dessas igrejas se tornar cada vez mais agressiva nos últimos anos”, disse Rodrigo Nunes, professor de filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

No entanto, disse ele, a maioria dos católicos está perturbada pelo boato “porque ele desafia sua posição tácita, não declarada, como a religião dominante no Brasil.” AFP

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